História
Palco de grandes festas e shows antológicos, a Casa da Matriz surgiu na rua que a batizou, a Rua da Matriz, em Botafogo. A história resumida é a seguinte: Idos de 1996. O jovem Léo Feijó, um então estudante de artes plásticas, passava em frente a uma antiga propriedade de seu avô, que a família vinha tentando vender para uma construtura, e viu que moradores de rua tinham ocupado a casa. Instigado, Léo então pediu para tomar conta da casa enquanto um novo destino não fosse dado a ela. Disse que queria criar um espaço para artes visuais alternativas, eventos culturais, peças de teatro e o avô topou.
Junto com um amigo, Márcio de Andrade, Léo começou a primeira série de eventos e conseguia fazer uma grana principalmente com festas de aniversários. “Muita gente queria fazer festa em lugares diferentes e aí a casa começou a ser procurada por isso”. Cerca de um ano depois, o avô pediu a chave e Léo foi abrir a primeira versão do bar Bukowski, na Rua Paulo Barreto, também em Botafogo.
Meses depois, a chave volta. O negócio do avô não andou e Léo reassumiu a casa. Vendeu sua parte no Bukowski e voltou para a Matriz. Na produção de uma das primeiras festas, tentou alugar o som de Daniel sem saber que aquele rapaz que anunciava seu equipamento nos classificados era seu companheiro de redação no antigo Jornal do Brasil. Identidades reveladas, trocaram uma ideia ali na redação, combinaram a primeira festa e não deu ninguém. A série de pequenos prejuízos e “dívidas” contraídas de Léo com Daniel, além da parceria que aumentava, fez com que virassem sócios. Um dos primeiros eventos a realmente funcionar veio logo para marcar história: a festa LOUD!
Depois de três meses de boa repercussão e de algumas apresentações históricas, como a dos iniciantes Los Hermanos, as negociações de seu avô finalmente se concretizaram e a casa precisou ser devolvida mais uma vez. Dois meses depois, a festa chegava ao seu endereço consagrado, o Cine Íris, no centro do Rio, famosos pelas sessões vespertinas de filmes eróticos, com ingressos por demais acessíveis e público diverso. Se os filmes não faziam jus à sua arquitetura clássica e imponente, a beleza do lugar continuava lá – ainda que escondida pela falta de conservação. Apesar de um ano de um enorme sucesso de público no centro do Rio, os custos de um local tão grande ainda não tinham se mostrado um bom negócio economicamente falando. Os eventos davam muita satisfação a todos, mas não eram rentáveis. “Era hora de voltar ao formato da casinha, aquela coisa meio labirinto, vários ambientes…”, relembra Léo Feijó. “E aí, eu achei o imóvel na Rua Henrique de Novaes, em Botafogo, onde funcionava uma produtora, com estúdios… Então tinha isolamento acústico que a gente aproveitou. Fizemos umas adaptações na casa, criamos uma programação maior para ocupar a semana inteira e nos mudamos para lá”.
Foi assim que a casinha no fundo do terreno de FURNAS começou a mudar a cara da rua deserta, que antes era basicamente ocupada por mendigos. A criação de uma agenda de eventos semanais facilitava a vida do público que rapidamente ficou sabendo que segunda era dia de rock, quinta tinha drum and bass, sexta era música brasileira, etc, etc… A casa conseguiu criar uma identificação rápida com a geração que começava a fazer da internet sua principal ferramenta de conhecimento musical e cultural. As festas da Matriz juntavam duas características complementares que iam formatando a identidade da casa: de um lado, as festas eram feitas para o público específico dos gêneros em questão. Ou seja, dia de rock, era rock mesmo, para quem gostava muito de rock. Por outro lado, a programação semanal não era xiita e atendia diferentes gêneros, o que dava uma amplitude maior de públicos, sem perder a credibilidade.
Tudo isso somado às exposições de artes plásticas, as peças de teatro, às mostras de moda alternativa e as diferentes formas de ocupação da casa fazia com que o local se tornasse ponto de encontro de que estava interessada em um entretenimento mais ativo e essa virou a principal marca do Grupo Matriz.
Em 2004, a necessidade de ter um palco próprio para shows de médio porte fez com que as fronteiras se expandissem e nascesse o Teatro Odisséia. A Casa da Matriz já não era a única filha do grupo, mas seguiu sendo a primogênita, a mais respeitada e o xodó de toda uma geração.
Para saber o resto da história é só seguir pelas páginas das outras casas.










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